quarta-feira, 15 de abril de 2015

Em outros tempos.







De repente amigo Ernesto;

Em um de repente, você morreu sonhando... Na tua passagem não viu o que fizeram de ti, irmão da maré de perdidos e sonhadores como tu. Não viu teu rosto virar adereço de biquíni na Califórnia, não viu o que fizeram do teu nome.
Mas tua essência surtiu nos poucos de nós, canção nova. Teu amor e luta nos fez melhores, não em renda, não em deslumbramento, porém somos ainda o mesmo sonho dos andantes de Serra Canastra. Aos que ilustram teu semblante, dentro dos erros que eles cometeram forjando e mesclando teu ideal, mentindo, causando ilusões ao propósito, uma hora ao benefício, outrora ao malefício das cobiças atuais, nem desejamos dias vindouros, pois é deles o momento da queda.
Em uma nação que ainda agoniza em fome e descontentamento, pregando o mais novo ilusório, cá ainda estamos, como tu, removendo carrapatos dos olhos do pequeno. E há tantos que ainda mentem em teu nome, há os que iludem tua batalha. Pequenos, grandes covardes e perdidos no motivo que os tira o sono, pois, quanto a nós, estamos vivos.
Somos a nação da reserva, pois, com tanto a realizar, ainda nos perdemos no delírio de um deus, um salvador, um momento... Quando a bandeira sempre foi a vontade, quando a cor ainda era parda e quando a América Latina ainda era uma terra de igualização. Quando ela ainda foi.
E um dia foi. Sacuda-te na sepultura irmão, pois tua ilha não é mais.
Mas enfim, ainda estamos aqui.
Parafraseando-te: Enquanto houver um lastro de vida faminta na america latina, minha batalha não terá chegado ao fim.
Ernesto Che Guevara.


sexta-feira, 28 de março de 2014

As Cores de Um e um Velho Mundo

E no caminho de um novo desfecho, tão semelhante aos tantos desfechos que somente findam quando finda o queimar dessa transitória vela... Memórias de um novo fim do mundo! E no trabalho intercalam sorrisos e parentes da rotina... Inclua algo, altere algo, critique algum erro. E não seriam todos os erros criticaveis? Escorrem os passos rumo à beira de um outro espaço dedicado ao preenchimento do tempo, cigarro acende uns 10 minutos... A sala é vaga como a tentativa em citar o fim do velho mundo.
Cá estou, e frente à uma chuva me aparece um menino: Quase 7 anos de vida e vivência, lá cai a chuva e o menino recolhe caixas de papel reciclável... Debaixo da chuva, longe dos olhares e distante do entendimento de qualquer expressão que possa ser humana.
E somos medo e necessidade... Transcorrem as horas, agora estou na rodoviária da capital de uma nação de bananas! Rumo ao mundial de uma copa de algum mundo (não o meu), rumo ao prelúdio de um outro novo caos! Vejo o homem pedir esmolas no semáforo, vejo a senhora gritar por 10 centavos... Vejo o motorista brincar com a condição de um homem que pede dinheiro por crack. Vejo o medo no timbre das vozes ao meu telefone dia e quase noite. Vejo homens ricos em porcentagens e pobres frente ao caminhar... E me vejo, e não sei onde estou. Vejo o amigo, reflexo de muitas dores e muita afirmação. Não vejo nada, nada foi escrito e cá entre nós, de nada falei nesse texto. Ao menos aos pares, ao menos aos que não percebem a cor e a dor da necessidade e do medo.

Texto a decifrar por:
Renan Santana.

Dedicado ao amigo
Daniel.

sexta-feira, 14 de março de 2014

UM OUTRO CAMINHO

De casa ao trabalho, nas linhas do Coletivo.


Acostumado a pagar as meias da pesada taxa do combustível, fazia algum tempo que não lidava com as expeças da condução. E cá estou, de casa ao trabalho no coletivo. Minha jornada tem início nas primeiras horas da manhã, quando o sol ainda rasteja rumo ao vago pesar das nuvens, brumas do novo dia... Ao passo das horas, acordo com o galo eletrônico do telefone celular, me levanto frente ao raiar do prelúdio de um caos, passo a passo, ergo as pálpebras... Café preto, ligo a TV e as novas velhas novidades... Afunila o trânsito ali e acolá... Horas depois... Tempos após... Dos traços medonhos entre a promessa de uma nova condução articulada (dizem eles), entre uma condução pouco articulada, entre transeuntes contínuos (quase os mesmos), entre afunilamentos, engarrafamentos de tráfego... Lá estou.
Janela suja, meninos discutem quanto custaria pagar 10 biscoitos de 1 real afim de aplacar a fome. Lá vai ela, na janela a senhora implora por moedas... Lá vem ele! Entre uma marcha e mais duas, o coletivo se desfaz... Eles correm! Elas lamentam... E acaba, é o fim! Ônibus quebrado, pessoas na estrada e telefones celulares conectados ao Facebook. O atraso nunca é justificado, a gasolina nunca paga as espessas e o tempo sempre pertence à falta do mesmo. A fome esmola nas janelas, o medo esbarra na necessidade... 
E assim divaga, ou devaneia a maré do coletivo, e assim vaga a nação dos que correm atrás da mobilidade em uma terra de tão poucos caminhos, porém de tamanha necessidade.

Impressões por:
Renan Santana.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O Gênio da Constituição.

Saltando uma ou outra janela, lá no início da vida é possível descobrir pouca coisa. Percebe-se com o passar dos anos que as auroras eram mais belas, porém, nos vindouros nos é permitido gerar teorias a respeito da vida. Sim meus caros, não é grande coisa, mais com o tempo passamos a crer que estamos mais capazes e é pura idiotice, mais julgamos assim.
E me diz uma moça no noticiário: Eu odeio moradores de rua! Ora bolas... Faz mesmo sentido odiar algo ou alguma condição sem ao menos termos a noção do de fato representa vivenciá-la? Pois bem. É certo que a fome ainda mata mais que qualquer batalha travada na esfera dessa nossa bola azul no universo, porém, ainda julgamos que as causas estão sempre ligadas a algum outro setor responsável. O gênio da constituição diz que para todo rei eleito há sempre uma plebe que o aclama como o tal. Eis a causa dessa nossa febre, pois, somos nós os responsáveis por nossos "reis" eleitos no centro do poder, em uma tal democracia, em um tal mundo novo que orgulhosamente reprimiu os demais regimes.

E por falar em regimes. O lema do socialismo era: "Desejar criar uma organização onde nada se teria a desejar de ninguém", um reino de igualdade sonhado por tantos, porém não imaginavam que surgiria um cara chamado Stalin. E em nosso país? Um brasil onde tudo é permitido, desde que não seja honesto.

Palavras de quem saltou uma janela. Contos embreagados e difíceis de serem digitados, mais completamente felizes pela oportunidade em expressar.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

AO FIM DO MUNDO

Aos que derrubaram muros e aos que construíram muralhas. Aos que escreveram seus nomes em cimento fresco e aos que jazem em mármore frio. Aos que pedalaram correntes em desgoverno e aos que observaram limiares sob janelas empoeiradas. Aos que tiveram todo o tempo do mundo e aos que no mundo não tiveram muito tempo.
A todos que se perderam em bosques e aos que em bosques causaram perdas. Pelas formações rochosas nas beiras das estradas e aos que mudaram de endereço. A todo aquele que acredita e aos que na crença findaram de mãos estendidas. 
Pelos cães saltando círculos inflamados e bancos de praças, aos cemitérios vazios e pelas manhãs dos domingos. Por todos os amantes e por toda a falta de encanto.

Aos filhos de um mundo em pânico e às memórias de um fim do mundo.