E no caminho de um novo desfecho, tão semelhante aos tantos desfechos que somente findam quando finda o queimar dessa transitória vela... Memórias de um novo fim do mundo! E no trabalho intercalam sorrisos e parentes da rotina... Inclua algo, altere algo, critique algum erro. E não seriam todos os erros criticaveis? Escorrem os passos rumo à beira de um outro espaço dedicado ao preenchimento do tempo, cigarro acende uns 10 minutos... A sala é vaga como a tentativa em citar o fim do velho mundo.
Cá estou, e frente à uma chuva me aparece um menino: Quase 7 anos de vida e vivência, lá cai a chuva e o menino recolhe caixas de papel reciclável... Debaixo da chuva, longe dos olhares e distante do entendimento de qualquer expressão que possa ser humana.
E somos medo e necessidade... Transcorrem as horas, agora estou na rodoviária da capital de uma nação de bananas! Rumo ao mundial de uma copa de algum mundo (não o meu), rumo ao prelúdio de um outro novo caos! Vejo o homem pedir esmolas no semáforo, vejo a senhora gritar por 10 centavos... Vejo o motorista brincar com a condição de um homem que pede dinheiro por crack. Vejo o medo no timbre das vozes ao meu telefone dia e quase noite. Vejo homens ricos em porcentagens e pobres frente ao caminhar... E me vejo, e não sei onde estou. Vejo o amigo, reflexo de muitas dores e muita afirmação. Não vejo nada, nada foi escrito e cá entre nós, de nada falei nesse texto. Ao menos aos pares, ao menos aos que não percebem a cor e a dor da necessidade e do medo.
Texto a decifrar por:
Renan Santana.
Dedicado ao amigo
Daniel.
sexta-feira, 28 de março de 2014
sexta-feira, 14 de março de 2014
UM OUTRO CAMINHO
De casa ao trabalho, nas linhas do Coletivo.
Acostumado a pagar as meias da pesada taxa do combustível, fazia algum tempo que não lidava com as expeças da condução. E cá estou, de casa ao trabalho no coletivo. Minha jornada tem início nas primeiras horas da manhã, quando o sol ainda rasteja rumo ao vago pesar das nuvens, brumas do novo dia... Ao passo das horas, acordo com o galo eletrônico do telefone celular, me levanto frente ao raiar do prelúdio de um caos, passo a passo, ergo as pálpebras... Café preto, ligo a TV e as novas velhas novidades... Afunila o trânsito ali e acolá... Horas depois... Tempos após... Dos traços medonhos entre a promessa de uma nova condução articulada (dizem eles), entre uma condução pouco articulada, entre transeuntes contínuos (quase os mesmos), entre afunilamentos, engarrafamentos de tráfego... Lá estou.
Janela suja, meninos discutem quanto custaria pagar 10 biscoitos de 1 real afim de aplacar a fome. Lá vai ela, na janela a senhora implora por moedas... Lá vem ele! Entre uma marcha e mais duas, o coletivo se desfaz... Eles correm! Elas lamentam... E acaba, é o fim! Ônibus quebrado, pessoas na estrada e telefones celulares conectados ao Facebook. O atraso nunca é justificado, a gasolina nunca paga as espessas e o tempo sempre pertence à falta do mesmo. A fome esmola nas janelas, o medo esbarra na necessidade...
E assim divaga, ou devaneia a maré do coletivo, e assim vaga a nação dos que correm atrás da mobilidade em uma terra de tão poucos caminhos, porém de tamanha necessidade.
Impressões por:
Renan Santana.
Renan Santana.
Assinar:
Postagens (Atom)