De casa ao trabalho, nas linhas do Coletivo.
Acostumado a pagar as meias da pesada taxa do combustível, fazia algum tempo que não lidava com as expeças da condução. E cá estou, de casa ao trabalho no coletivo. Minha jornada tem início nas primeiras horas da manhã, quando o sol ainda rasteja rumo ao vago pesar das nuvens, brumas do novo dia... Ao passo das horas, acordo com o galo eletrônico do telefone celular, me levanto frente ao raiar do prelúdio de um caos, passo a passo, ergo as pálpebras... Café preto, ligo a TV e as novas velhas novidades... Afunila o trânsito ali e acolá... Horas depois... Tempos após... Dos traços medonhos entre a promessa de uma nova condução articulada (dizem eles), entre uma condução pouco articulada, entre transeuntes contínuos (quase os mesmos), entre afunilamentos, engarrafamentos de tráfego... Lá estou.
Janela suja, meninos discutem quanto custaria pagar 10 biscoitos de 1 real afim de aplacar a fome. Lá vai ela, na janela a senhora implora por moedas... Lá vem ele! Entre uma marcha e mais duas, o coletivo se desfaz... Eles correm! Elas lamentam... E acaba, é o fim! Ônibus quebrado, pessoas na estrada e telefones celulares conectados ao Facebook. O atraso nunca é justificado, a gasolina nunca paga as espessas e o tempo sempre pertence à falta do mesmo. A fome esmola nas janelas, o medo esbarra na necessidade...
E assim divaga, ou devaneia a maré do coletivo, e assim vaga a nação dos que correm atrás da mobilidade em uma terra de tão poucos caminhos, porém de tamanha necessidade.
Impressões por:
Renan Santana.
Renan Santana.
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